Conversa com especialista: session stylist Adam Garland

Conversa com especialista: session stylist Adam Garland

Fala sobre mindfulness, beleza pura, "sem filtros" e autenticidade

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No sentido literal, Adam Garland não está muito longe de casa. Tendo crescido numa pequena cidade na costa de Somerset, atualmente vive e trabalha em Londres, a apenas duas horas de comboio. Em sentido figurativo, este session stylist está, na verdade, muito longe de casa. Cresceu sem saber muito sobre as indústrias de cabeleireiros, beleza ou moda. Mas devia haver algo nos ares de Weston-super-Mare pois, logo aos 14 anos, o jovem Adam conseguiu o seu primeiro trabalho num salão na sua cidade natal. Aos 35 ainda continua apaixonado por cabelos, e a sua irmã também é cabeleireira. De acordo com Adam, adora o seu trabalho "por vezes até demasiado", mas cerca de 20 anos a embelezar cabelos criaram um portfólio impressionante. O seu trabalho editorial já apareceu nas páginas da revista Elle, Harper’s Bazaar, L’Officiel e Vogue – para citar apenas algumas. Os modelos e celebridades penteados por este estilista britânico já desfilaram nas passerelles e passadeiras vermelhas de todo o mundo. Na nossa entrevista, explica porque aderiu ao Authentic Beauty Movement, o que o inspira e porque o Memento de Authentic Beauty Concept é importante para ele a nível pessoal.

Authentic Beauty Concept: o que te inspira profissionalmente? 

Adam Garland: ontem ia almoçar e vi uma estátua numa loja que tinha um bonito cabelo esculpido. Chamou-me à atenção e tive de parar para tirar uma fotografia. Por isso, posso inspirar-me em qualquer lugar e a qualquer momento. O importante é manter a mente aberta. De um ponto de vista profissional, as pessoas que me inspiraram e continuam a inspirar são pessoas como um dos meus principais mentores, o maquilhador Lan Grealis. Estas pessoas foram fundamentais no meu percurso, orientaram-me e apoiaram-me ao longo da minha carreira. Viram-me como eu era e apoiaram-me de uma forma muito autêntica.

O que é para ti beleza pura? 

Pode parecer um bocadinho piegas, mas felicidade é beleza. Viver a vida, aproveitar o dia, ver o lado positivo. Acho que, nesta indústria, é muito importante mantermo-nos pragmáticos, cientes da saúde mental e do mindfulness. Gosto de me rodear desse tipo de energia e desse tipo de pessoas. 

Como encontras beleza pura no teu trabalho?  

O mais importante é fazer uma mulher sentir-se bonita e parecer bonita. Também gosto de trabalhar com o que tenho e não complicar demasiado as coisas. Na prática, significa ter a confiança para dizer: "Não precisamos de mudar muita coisa. Esta mulher está fantástica. Vamos só acrescentar um pormenor aqui e outro ali, mas sem destruir a beleza natural dela."

Isso está em harmonia com uma atitude "sem filtros"? 

Atualmente, estamos a regressar às origens em termos de filtros. Quando inicialmente aderi ao Instagram, passava cerca de 15 minutos a fazer retoques e aplicar filtros. Trabalho com algumas celebridades muito conhecidas e conheço bem a forma como respondem atualmente à indústria. Acho que é muito revigorante que estejam a usar cada vez menos filtros e que estejam menos obcecadas com a perfeição. Toda a gente está a tentar ser um pouco mais descontraída.

O que significa para ti a frase "A beleza não tem regras"?

Se olharmos para o passado, quando a definição de beleza era mais restrita, acho que compreendemos melhor o quanto os padrões de beleza evoluíram e se tornaram mais flexíveis. Conseguimos identificar uma identidade geral para cada década do século XX e temos toda uma herança de referências, desde a década de 60 até aos anos 90. Atualmente, podemos aproveitar todas essas variáveis, mas temos mais liberdade para nos expressarmos à nossa própria maneira. Enquanto artista, adoro sentir-me inspirado por referências do passado, combiná-las e dar-lhes um toque diferente. E, para a próxima geração, também é entusiasmante poder trabalhar com um catálogo de referências, mas sem se restringir a ele. Quando não existem regras, podemos utilizar tudo o que queremos para criar o nosso próprio look.  

Como te identificas com o Authentic Beauty Movement?

O que é fantástico nesta ideia de um movimento, é o facto de não se restringir a produtos. Ser parte de Authentic Beauty Concept também é ser parte do movimento. É algo muito inspirador para as pessoas que querem mais diálogo. Pessoalmente, gosto muito do aspeto do mindfulness. É algo que pratico diariamente através da meditação e do pensamento positivo. Num mundo que se foca no exterior, acho que é importante termos consciência do bem-estar emocional: pensar menos no exterior e mais no interior. Isto, para mim, é realmente autêntico..

O que torna o Memento de Authentic Beauty Concept tão especial? 

O Memento, como chamamos ao nosso tratamento no salão, vai mais além do que lavar e pentear o cabelo, é uma experiência em si. O cliente recebe uma máscara para os olhos e são-lhe oferecidos sons tranquilizantes ou tampões para os ouvidos que cancelam o ruído, é uma forma fantástica de dar início à experiência no salão. Ainda melhor é a forma como incorporamos essa mentalidade também no final da experiência. Nesse momento, as pessoas podem começar a envolver-se e isso pode transformar-se num envolvimento com a comunidade. Vai ser realmente entusiasmante descobrir como isto vai evoluir nos próximos anos.

Como descreverias a sensação de Authentic Beauty Concept no cabelo?

Tem sido fantástico trabalhar com os produtos. Permitem-me criar aquele look inacabado que representa muito bem a minha estética. Dediquei-me à criação de camadas com os produtos. O cabelo mantêm-se numa condição fantástica, mas continua a ser possível trabalhá-lo. Enquanto stylist, preciso de conseguir mudar as coisas rapidamente e em qualquer lugar, por isso estou muito feliz com a forma como estes produtos reagem.

Como é que as pessoas podem reconhecer o teu trabalho como stylist? 

As pessoas com quem trabalho, os meus mentores e as pessoas que me orientaram ao longo da minha carreira já me disseram várias vezes que tenho um toque especial. Isso pode traduzir-se em alguns cabelos pequenos que deixo sobre o rosto, um rabo de cavalo com um pouco de movimento ou talvez a forma como aplico um produto. Acho isso muito humilde e sinto-me honrado pelo facto das pessoas se aperceberem. Abordo cada cliente de uma forma pessoal, relaciono-me com a pessoa e gosto de fazer perguntas. Quando faço uma pessoa sentir-se confortável, tenho toda a liberdade criativa e todo o controlo de que preciso e, para mim, isso é muito importante.

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